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A privatização da Cedae e a corrupção translúcida
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A privatização da Cedae e a corrupção translúcida

 

Sob o disfarce dos “planos de recuperação fiscal”, a equipe de Temer vai preparando as carnes do serviço público para o banquete das frações financeiras do capital, os investidores que o PMDB com tanto zelo representa. Amarrados pelo endividamento, os estados e municípios executam como marionetes do governo federal as fórmulas do ajuste: privatização, corte de cargos e congelamento dos salários e dos investimentos públicos, em benefício dos setores rentistas que lucram com a crise.

Nesta segunda-feira, dia 20 de fevereiro, foi aprovada na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, sem discussão, a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos, a Cedae, uma das contrapartidas para viabilizar a suspensão do pagamento da dívida do estado e contratar um empréstimo de R$ 3,5 bilhões com a União; um valor que paga só um mês da folha dos servidores. A indignação dos trabalhadores e movimentos sociais, que resistiu por várias semanas à repressão brutal da polícia, fica sem resposta.

O caso da Cedae é exemplo do que está acontecendo em outros lugares. Em São Paulo, a mensagem que Dória passa no vídeo da prefeitura [1] não poderia ser mais clara, é a cidade em uma vitrine de liquidação para o business de Dubai. É mostra do avanço violento do capital financeiro, que em sua corrupção sistêmica com o Estado busca se valorizar parasitando os fundos públicos.

Seria cômico se não fosse trágico o fato das políticas de austeridade terem efeitos completamente contrários ao que prometem. Diferente do que tentam vender os jornais que defendem a classe dominante, a recuperação econômica não está próxima, e com essas medidas a crise tende a se aprofundar ainda mais. Os resultados do ajuste fiscal já se fazem sentir: desemprego ampliado de 23 milhões de pessoas, salários atrasados, precarização dos serviços públicos, fim dos planos de carreira.

Ainda que uma série de atores estejam sendo expostos e até mesmo presos, a cada dia um novo caso de corrupção vem à tona no seio das instituições, e surgem justiceiros que prometem combatê-la se usando de lemas e jargões de forma oportunista. Na realidade, a corrupção não se trata nem nunca se tratou de casos isolados; é um fenômeno inerente à forma de funcionamento do capital. A crise pela qual passamos não é só resultado da corrupção, como também forma de ampliá-la e consolidá-la em proveito da classe dominante.

As políticas de austeridade nos tiram mais do que direitos, são um furto descarado de anos de luta e trabalho da nossa classe. É a corrupção em sua forma mais explícita.  Em nossa cidade, a greve dos municipários, que já passa de um mês, é exemplo da resistência contra o ataque ao funcionalismo público. Não há outra resposta possível de nossa classe que não seja a luta, que é dizer em bom e alto tom: “Não iremos negociar com nossas vidas!” Não há negociação possível quando se trata de entregar de bandeja o fundo público, o fundo dos trabalhadores, às sanguessugas.

 

[1] http://capital.sp.gov.br/noticia/prefeito-vai-a-evento-internacional-para-atrair-investimentos-em-sp

 

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