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[Entrevista] UàE entrevista integrante do movimento secundarista do Colégio Simão Hess

[Entrevista] UàE entrevista integrante do movimento secundarista do Colégio Simão Hess

UàE entrevista integrante do movimento secundarista do Colégio Simão Hess  

UàE – Você pode nos contar um pouco sobre como está o movimento, a conjuntura e por quais razões vocês estão lutando?

I. M.* – A nossa movimentação está com um bom alcance e estamos muito orgulhosos do nosso movimento. Estamos conseguindo nesse momento chegar até a base, o que não estávamos conseguindo fazer. Nosso movimento está ganhando outro caráter, que não está mais restrito ao diálogo com a direção do colégio. […] Nós já conseguimos expor nosso posicionamento sobre o que está acontecendo no país atualmente, marcamos nossa posição. Acreditamos que já estão claras as razões pelas quais estarmos lutando.

O movimento do Ocupa Simão tem uma grande preocupação com relação a PEC [241], não só os estudantes como também os professores, porque a gente se preocupa com a qualidade do nosso ensino e do nosso aprendizado e acreditamos que com essa PEC nosso ensino seria precarizado, assim como já está precária a nossa merenda e também a nossa escola. Além disso, estamos preocupados com a questão da MP 746 que é uma afronta ao que viemos construindo durante anos em escola. Querem direcionar e criar um exército de soldados não pensantes do Estado, prontos para serem inseridos diretamente do ensino médio para o mercado de trabalho. O Estado não quer que nós, jovens e estudantes, nos tornemos pessoas com pensamento crítico, […] essas propostas não passaram pela mão de profissionais e pessoas capacitadas para analisar e nem teve aprovação dos professores. Então nós nos preocupamos com isso. A lei da Mordaça também é outra medida que estamos combatendo. Não existe escola sem posição e sem dialética. Precisa sim ter debates e apresentar várias visões e opiniões divergentes para que todo mundo esteja habituado com as divergências e desenvolvam seu criticismo.

UàE – Como foi o ato de hoje (quinta-feira, 03/11) pela manhã?

I. M. – O nosso ato hoje causou o que a gente queria: desconforto. As pessoas começaram a questionar sobre o que estávamos fazendo. Algumas pessoas que passavam na rua apoiavam e algumas eram contrárias. O ato foi muito bonito e o que pegou para a gente foi quando tentamos entrar na escola, porque por ordem da direção as portas foram fechadas. Então a gente começou a gritar que a gente queria aprender e estudar. O movimento foi na janela da direção e começamos a falar sobre o artigo 53 do estatuto da criança e do adolescente que nos garante a educação e nesse momento foi quando eles abriram os portões para que a gente pudesse entrar.

UàE – Como está a postura da direção e do restante da comunidade escolar com relação ao movimento?

I. M. – A direção e a comunidade escolar está muito resistente, mas estamos tocando o movimento com a legitimidade dos estudantes, porque esse movimento é estudantil e não da comunidade escolar. O apoio de alguns professores e pais nos dá muita segurança acerca do que estamos fazendo e isso é muito positivo, porém, ainda há muita repressão por parte de alguns pais e da direção. A direção está nos reprimindo e jogando com a gente, por exemplo: o portão a partir das 7:50 está sendo trancado e estamos sendo mantidos presos dentro da escola e eles estão permitindo que muitas coisas complicadas aconteçam dentro da escola sem dar nenhum posicionamento. Então, estamos sofrendo muita repressão por parte da direção. Apesar disso, a movimentação toda está muito legal e estamos crescendo, construindo uma base sólida para lutar pelo nosso direito à educação.

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