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Ni una menos na Argentina e no Brasil: a luta pela vida das mulheres também é nossa!
(Illustration: Lucía Coz Córdova/Ni Una Menos Facebook)

Ni una menos na Argentina e no Brasil: a luta pela vida das mulheres também é nossa!

Redação UàE – 19.10.2016

Na argentina, os últimos dias tiveram um aumento significativo de casos impactantes de violência contra as mulheres, explicitando as perversas consequências do que significa viver em uma sociedade patriarcal e capitalista. Lucía Pérez, uma jovem de 16 anos, foi estuprada e assassinada em Mar Del Plata, causando grande comoção em todo país. Além disso, uma jovem lésbica foi assassinada pela mãe, duas jovens foram esfaqueadas em Buenos Aires e um ato – onde ocorria um encontro de Mulheres – foi duramente reprimido pela polícia.

Diante deste cenário, o movimento feminista “Ni una menos” realiza junto aos movimentos e sindicatos do país uma paralisação geral hoje, dia 19, contra o Feminicídio. A partir das 17h, terá início a concentração para as manifestações de rua. O movimento afirma: “Juntas decidimos parar: aquelas com emprego formal ou não, as que participam de cooperativas, as precarizadas, aquelas que trabalham em casa e não são pagas, as desempregadas, estudantes, artesãs e artistas, todas”.¹ A mobilização acontecerá simultaneamente em vários países: Uruguai, México, Bolívia, Chile, Nicaragua, Honduras, Porto Rico, Paris e aqui no Brasil também.

Assim como na Argentina, no Brasil os dados da violência contra as mulheres são alarmantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil está classificado como o quinto país do mundo em violência contra as mulheres, 13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil segundo o Atlas da violência de 2016. Em levantamento do Data Senado, uma em cada cinco mulheres já sofreu algum tipo de violência. Recentemente um caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro envolvendo cerca de 30 homens teve grande repercussão nacional e no Piauí três casos de estupro coletivo ocorreram em menos de um mês².

Enquanto isso, os ataques aos serviços públicos e principalmente à educação e saúde, buscam tirar cada vez mais das mulheres de nosso país a capacidade de sonhar e lutar por uma outra realidade possível. Projetos como escola sem partido querem calar a voz dos professores em sala de aula, também para impedir que formemos mulheres insubmissas as violências cotidianas do machismo. A MP do ensino médio quer lhes retirar a base crítica e criativa que muitas vezes só encontram na escola, o desmonte do SUS coloca em ameaça qualquer acolhimento real às vítimas de violências, às gestantes e outras situações que necessitam de um amparo mínimo e real. Aqui e ali, o capital arranca tudo o que pode da classe trabalhadora e fortalece as condições para que o machismo se perpetue de forma violenta contra as nossas mulheres!

Assim como a argentina para hoje, em defesa da vida das mulheres, dia 24 o Brasil irá parar também rumo à Greve Geral, contra os ataques que vem ocorrendo nos serviços públicos, que são também ataques às condições de vida das nossas mulheres. Lutar contra esses ataques é defender a vida das mulheres! Saudamos o movimento Ni una Menos e nos solidarizamos com a luta das mulheres argentinas, mas também chamamos às lutas do dia 24. Faltam 5 dias para a paralisação do dia 24 e a participação dos movimentos feministas também é essencial para a construção dessas lutas, a defesa dos serviços públicos também é uma luta das mulheres!


¹http://www.sul21.com.br/jornal/mulheres-argentinas-organizam-paralisacoes-apos-estupro-e-assassinato-de-adolescente/

²http://ufscaesquerda.com.br/nossos-corpos-nao-pertencem-ao-capital/ e http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/06/14/jovem-de-21-anos-sofre-estupro-coletivo-no-piaui-caso-e-o-3-em-um-mes.htm

Fontes:

http://desacato.info/contra-o-feminicidio-argentinas-organizam-greve-geral-de-mulheres/

http://g1.globo.com/hora1/noticia/2015/11/brasil-e-o-quinto-pais-do-mundo-em-ranking-de-violencia-contra-mulher.html

http://desacato.info/13-mulheres-sao-assassinadas-por-dia-no-brasil-aponta-atlas-da-violencia-2016/

https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/pesquisas/consultarpesquisa?materia_id=brasileiras-sabem-da-lei-maria-da-penha-mas-a-violencia-domestica-e-familiar-contra-as-mulheres-persiste

 

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