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Nota de Esclarecimento: Relação entre UaE e Irineu Manoel de Souza

Nota de Esclarecimento: Relação entre UaE e Irineu Manoel de Souza

O UFSC à Esquerda (UaE) recebeu nos últimos meses denúncias sobre boatos passados adiante por pessoas ligadas a atual gestão da Reitoria e a seus aliados. Uma parte desses boatos diz respeito a que o nosso coletivo jornalístico teria como único objetivo servir de apoio a uma possível candidatura do professor Irineu Manoel de Souza a reitor.

Desde 2013, quando o UaE começou suas atividades, procuramos servir como instrumento político de esquerda no campo socialista para a potencialização das ações políticas de todos os que lutam por uma universidade pública e comprometida com as necessidades da classe trabalhadora. Atualmente nossas atividades foram reestruturadas, de modo que passamos a fazer coberturas diárias das atividades de esquerda na universidade. Nosso instrumento de comunicação não é neutro, ele é bem posicionado. De acordo com os instrumentos de medida oferecidos pelas redes sociais, cerca de 12.000 pessoas são alcançadas com nosso conteúdo hoje. Isso, para nós, demonstra que a realização de um trabalho sério e comprometido com a verdade, doa à quem doer, construiu uma referência significativa. Esperamos que essa referência sirva para criar, cada vez mais, necessidades organizativas para as lutas de estudantes e trabalhadores dentro da UFSC. É justamente em função desse comprometimento que gostaríamos de insistir em dois pontos.

O primeiro deles é que esse tipo de atuação baseada em boatos faz uso do espaço privado de corredores. Isso não permite a chance de uma resposta mais imediata porque acontece no pior tipo de espaço político, que só podemos compreender corretamente a partir daquilo que Gramsci chamou de “a pequena política”[1]. A pequena política é relevante, porque ela impacta significativamente o campo de coordenadas onde os diferentes sujeitos políticos estão, sem permitir que alguns deles, taxados de inimigos, possam posicionar-se – é a fofoca, o boato, a conversa mole. Isso tudo tem uma única função para Roselane Neckel e sua gestão de direita: como nós denunciamos sistematicamente sua gestão pseudoprogressista e aqueles que estão em alianças com ela e como não podem se defender no campo da argumentação política, restou-lhes tentar nos desacreditar por pessoalismos e pela boataria. A única forma de combater essa pequena política, em nosso entendimento, é trazendo tudo isso do baixio das bestas, que é a boataria, para o espaço público.

O segundo ponto é que vamos aproveitar a oportunidade para esclarecer que não apoiamos o prof. Irineu hoje, e nem apoiaremos no futuro. O prof. Irineu, em nossa concepção, nunca assumiu um compromisso verdadeiro com as grandes questões da esquerda na universidade. Ele não apresenta uma posição clara sobre as empresas juniores, em alguns momentos inclusive parece apoiá-las e em outros diz que gostaria de abrir diálogo com elas. Além disso, enquanto os Servidores Técnico-administrativos em Educação sofriam as atrocidades cometidas por Roselane Neckel, com cortes nos salários em função da greve, ameaças de instalação dos pontos eletrônicos, assédios morais etc, o prof. Irineu nada falou, escondeu-se, e, portanto, estava de acordo. Ou ainda, agora quando Roselane Neckel e a PRAE agem duramente contra os estudantes pretos e pobres em luta pela bolsa permanência, nenhum posicionamento do professor. Quem, diante das grandes questões universitárias não emite um posicionamento firme e coerente, como o prof. Irineu deixou de fazer durante os últimos quatro anos, jamais terá uma linha de nosso apoio. O UaE tem posições: doa a quem doer!

 

[1] A grande política compreende as questões ligadas à fundação de novos Estados, à luta pela destruição, pela defesa, pela conservação de determinadas estruturas orgânicas econômico-sociais. A pequena política compreende as questões parciais e cotidianas que se apresentam no interior de uma estrutura já estabelecida em decorrência de lutas pela predominância entre as diversas frações de uma mesma classe política (política do dia a dia, política parlamentar, de corredor, de intrigas). Portanto, é grande política tentar excluir a grande política do âmbito interno da vida estatal e reduzir tudo a pequena política. [Gramsci, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1999]

 

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