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[Notícia] A repercussão da delação da JBS na política catarinense

[Notícia] A repercussão da delação da JBS na política catarinense

Por Maria Fernandez da redação do UàE em 22 de maio de 2017

A investigações originadas nas declarações da JBS também atingiram a política catarinense. Ricardo Saud, diretor de relações institucionais e governo na J&F, que controla a JBS, cita o governador Raimundo Colombo e o Secretário de Estado da Fazenda Antonio Gavazzoni. Ricardo Saud afirma que foram pagos R$ 10 milhões em propina para a campanha de Colombo nas eleições de 2014 com objetivo de obter facilidades na compra da Casan.

Com a liberação pelo STF dos materiais das delações relacionadas ao grupo JBS na sexta-feira, dia 19 de maio, é possível constatar a relação imbricada do capital  com o setor público na garantia de favorecimentos. Ao todo a JBS, maior financiadora de campanhas políticas de 2014, teria doado, de forma oficial, R$ 14 milhões para candidatos catarinenses que disputaram as eleições em 2014. Segundo Ricardo Saud há registro de propina a 1.829 candidatos eleitos pelo país

Segundo o vídeo da declaração do diretor Ricardo Saud, a relação de Gavazzoni com os empresários teria se estreitado a partir da compra da Seara em 2013 pela JBS. E a propina de 10 milhões teria auxiliado na campanha de Colombo de 2014, sendo uma contrapartida para que a JBS pudesse participar da elaboração do edital de licitação da companhia de abastecimento.

Colombo já foi citado anteriormente em delações e documentos da Odebrecht na operação Lava- Jato, mas aguarda ser julgado na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça.

Na manhã desta segunda-feira o secretário de Estado da Fazenda deixou o cargo após conversa com o governador. Segue abaixo nota do Ex- secretário Antonio Gavazzoni à imprensa na manhã de hoje:

 

Nesse tempo em que fui secretário de Estado e presidente de estatal me concentrei sempre em enfrentar problemas e crises. Nunca fui seduzido por assuntos que gerassem publicidade positiva, como inaugurações ou festas políticas.

Zelei cada dia pelo interesse público, trabalhei dando toda minha força, energia, conhecimento e capacidade para enfrentar grandes problemas públicos, desde a crise econômica e climática de 2008, depois à frente do grupo Celesc e, sobretudo, na Secretaria da Fazenda nestes últimos anos da pior crise econômica que o país e o Estado já viveram em toda sua história. Vencemos por não aumentar impostos nem atrasar salários. Se isso tivesse ocorrido, a Segurança, a Saúde e a Educação teriam entrado em colapso, como aconteceu em vários estados. O progresso econômico e social estaria severamente comprometido.

Porém, apesar de todo meu entusiasmo pelas missões públicas, neste momento não tenho forças para seguir comandando os homens e mulheres de grande capacidade técnica que pertencem aos quadros da Fazenda.

Não vou descansar, mas me dedicar a mostrar a cada pessoa que confiou em mim ao longo desses 11 anos, que nada do que foi dito por criminosos confessos é verdadeiro. Todos os encontros narrados foram presenciados por terceiros que testemunharão para esclarecer a verdade. Os heróis brasileiros em que se transformaram os Procuradores da República e os Magistrados sabem e saberão julgar aqueles com quem lidam. Esses criminosos confessos, que buscam a qualquer preço montar versões que justifiquem a troca de penas alongadas por liberdade e vida milionária no exterior, não podem vencer.

Na nossa vida tudo tem um limite. A minha enérgica disposição para enfrentar problemas no Estado encontrou o seu: os dois fatos envolvendo questões eleitorais, injustas e improcedentes quando citam meu nome e, por isso, doloridas. Abro mão do foro privilegiado porque nada temo. Agradeço ao governador Raimundo Colombo pela confiança e amizade recíprocas, bem assim a todos os colegas de Governo.

Tenho Deus por testemunha de minhas palavras e, mesmo passando por tudo isso, só agradeço às amizades e simpatias que conquistei.

 

Antonio Marcos Gavazzoni

22 de maio de 2017

 

Fontes:

https://ndonline.com.br/florianopolis/coluna/paulo-alceu/secretario-da-fazenda-antonio-gavazzoni-deixa-governo-do-estado-apos-delacao-da-jbs

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/em-video-da-lava-jato-delator-ligado-a-jbs-diz-que-pagou-a-colombo-r-10-milhoes-em-propina.ghtml

Vídeo da declaração de Ricardo Saud: https://www.youtube.com/watch?v=PfiQMYeLYgs

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