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[Notícia] Serviço de referência no atendimento de crianças e adolescentes em situação de violência sexual do Hospital Universitário suspende atividades por falta de trabalhadores

[Notícia] Serviço de referência no atendimento de crianças e adolescentes em situação de violência sexual do Hospital Universitário suspende atividades por falta de trabalhadores

José Braga – Redação do UàE – 27.11.2017

O Hospital Universitário da UFSC possui em seu interior um serviço especializado de referência do Sistema Único de Saúde (SUS) para atenção e cuidado a crianças e adolescentes em situação de violência sexual. Na grande Florianópolis apenas o HU e o Hospital Infantil Joana de Gusmão possuem equipes de atendimento deste serviço. No entanto, no HU a equipe teve que suspender suas atividades por falta de pessoal na ala pediátrica do hospital.

O trabalho destas equipes consiste no acolhimento, no atendimento humanizado, na realização de exames físicos quando necessário, na dispensa de medicamentos quando necessário, na realização de atendimentos clínicos, atendimentos psicológicos, na notificação a rede de atenção e de proteção à criança e ao adolescente, realização de exames laboratoriais, orientação, dentre outros. A suspensão das atividades terá significativo impacto para a comunidade, que terá um acesso mais restrito ao serviço na cidade.

Conforme as informações que obtivemos com a Direção do HU, os pacientes que forem à porta do serviço continuam sendo atendidos na emergência pediátrica. No entanto, a referência fica apenas no Hospital Infantil, direcionando os encaminhamentos e o trabalho do SAMU. Confirmamos que a situação está colocada pela falta de pessoal no hospital.

Trabalhadores do hospital indicaram que a situação se dá por conta da sobrecarga no ambulatório, ficando o seguimento do atendimento prejudicado. Entenda: o serviço especializado de referência em atendimento às crianças e adolescentes em situação de violência sexual faz os primeiros atendimentos na emergência, e o paciente segue em atenção ambulatorial. Com o comprometimento da atenção no ambulatório pela falta de pessoal o serviço tem dificuldades no seguimento do cuidado aos pacientes – tendo que encaminhá-los ao Hospital Infantil.

Em ofício a coordenação da equipe multiprofissional de atendimento a pessoas em situação de violência sexual do HU informa a direção do Hospital/Superintendência da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) que a situação que já havia sido reportada em outubro de 2016 permanece a mesma. Por conta da falta de trabalhadores a equipe tem dificuldades de dar continuidade ao atendimento dos pacientes e por conta das consequências negativas desta interrupção solicita a suspensão do serviço.  Com isso solicita a suspensão do atendimento até que se reestabeleça o quadro. Leia o ofício:

O fechamento, a princípio temporário, do serviço foi denunciado pelo Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALIMED) no dia 23 de novembro. Em nota que você pode conferir na íntegra ao fim da notícia o CALIMED aponta a precarização do Hospital que conta com um quadro generalizado de falta de pessoal.

De acordo com o Centro Acadêmico, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) que assumiu a gestão do HU em março de 2016 não vem cumprindo com o contrato que estabeleceu com a UFSC. A empresa naquele momento havia se comprometido com a reabertura de leitos no hospital, com a manutenção com qualidade dos serviços do HU, enfim que o mesmo pudesse funcionar em plena capacidade. Para isso seria necessário a contratação de mais 770 trabalhadores, indicado em levantamento da própria EBSERH.

Ainda assim, o último processo seletivo realizado pela empresa abriu 450 vagas. E destas nem mesmo 10% foram chamadas para assumir os cargos. A falta de pessoal tem levado a precarização dos serviços: têm sido constantes os fechamentos ou atendimento parcial na emergência geral do hospital; há uma estimativa de fechamento de mais 10 leitos na cirurgia; e agora a falta de pessoal na pediatria levou ao fechamento do serviço de atendimento de crianças e adolescentes em situação de violência sexual.

A situação de falta de pessoal na pediatria se arrasta desde o ano passado. Os trabalhadores tem que se dividir na Emergência Pediátrica; no Ambulatório e na Enfermaria, se esforçando para manter mesmo em menor número do que o seria necessário o atendimento a população. Pelo que pudemos apurar não há previsão para normalização do atendimento.

Leia na íntegra a nota do Centro Acadêmico Livre de Medicina:

SUSPENSÃO DE SERVIÇO REFERÊNCIA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA SEXUAL DO HU

Além do fechamento cada vez mais frequente da emergência do Hospital Universitário da UFSC, na última semana também foi suspenso o atendimento às crianças e adolescentes em situação de violência sexual, serviço do qual o HU era Referência.

Em ofício homologado pela superintendência do HU/UFSC/EBSERH, a falta de contratação de profissionais é apontada como o motivo da suspensão do serviço.

Vale lembrar que foi realizado concurso em 2016 para preenchimento de 400 vagas no hospital universitário, sendo 119 apenas para médicos, mas, até então, pouquíssimos profissionais foram, de fato, convocados.

Não só os estudantes são prejudicados pela paralisação desses serviços, os quais são os nossos cenários de prática, mas é também a população, pois o nosso HU faz parte de uma rede de atenção em saúde de grande importância para a cidade e para todo o estado.

Infelizmente, precarizações como as citadas acima tem se tornado cada vez mais frequentes e são aceitas com pouca ou nenhuma resistência.

 

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