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O início do ano letivo: a abertura de um ciclo de lutas pela universidade pública

O início do ano letivo: a abertura de um ciclo de lutas pela universidade pública

Redação UàE – 06.03.2017

 

Dia 06 de março, a universidade se enche de vida e alegria – tem início o ano letivo. Os calouros ainda deslumbrados, as piadas com a sala alocar ganham até o portal institucional, o guaxe e os rituais de passagem mais ou menos solidários. Para muitos que passam a habitar os campi abre-se um novo ciclo na vida, uma nova relação com o conhecimento.

Com a mesma energia abre-se também o próximo ciclo de lutas na UFSC. Este ciclo, que tomou conta da cidade com a luta emocionante dos trabalhadores do município que derrotaram parcialmente os ataques do prefeito Gean Loureiro, deve agora inundar os campi universitários. E não serão poucas as lutas que se enfrentarão.

As lutas travadas na UFSC em unidade entre estudantes e trabalhadores num momento aberto em 2015 contra os cortes orçamentários na Educação e na Saúde, em 2016 contra a PEC55, a PEC do Fim do Mundo, que congelou o orçamento da união pelos próximos 20 anos, e contra a reforma do ensino médio, recentemente aprovada, que deteriorá ainda mais a formação escolar da classe trabalhadora, agora deve ganhar novo fôlego na luta contra a reforma da previdência. A reforma proposta pelo governo golpista de Temer fixa a idade mínima para aposentadoria em 65 anos, e aumenta o tempo de contribuição necessário para que as aposentadorias sejam referentes ao salário integral ou ao teto do regime geral – uma reforma que compromete os anos de vida futura dos trabalhadores.

Além desta luta central, muitas outras estão no horizonte: derrotar a reforma trabalhista que retira ainda mais os parcos direitos contratuais da ampla maioria da população, permitindo uma maior precarização das condições de trabalho; com o contingenciamento do orçamento da união, o orçamento das universidades federais também deve secar, e por consequência afetar as condições de permanência dos estudantes na universidade; da mesma forma os setores conservadores da instituição devem buscam alternativas na iniciativa privada para complementar o orçamento e gerir a crise; reascende a luta contra as empresas juniores no Centro de Filosofia e Ciências Humanas; dentre tantas que se construirão. Neste contexto, uma coisa é certa – não há espaço para o imobilismo. E o conjunto de ataques às condições de vida e trabalho da classe trabalhadora, cujo impacto já sentido com os altos níveis de desemprego e reduções salariais, os ataques a Universidade Pública, cujo exemplo dramático da Universidade Estadual do Rio de Janeiro não pode passar despercebido, exigirá dos estudantes, dos docentes e técnicos-administrativos, muita organização e disposição para construir lutas unitárias.

No momento em que vivemos não há lugar para a indiferença, ele exigirá de todos nós coragem para se posicionar e se comprometer politicamente. E na Universidade que este compromisso seja também um compromisso intelectual com um projeto de construção de uma Universidade vinculada com a vida, com a sorte de milhões e milhões de trabalhadores, contra a deterioração e a mediocridade na formação – um compromisso com o sentido público desta instituição. Com essa mensagem o UàE deixa suas boas vindas aos calouros, e uma saudação a todos que reiniciam suas atividades. Que possamos nos encontrar nas lutas. Que possamos lutar juntos por uma Universidade no Socialismo. Ocupemos a UFSC com nossos sonhos!

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