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[Opinião] A juventude de Córdoba vive.

[Opinião] A juventude de Córdoba vive.

Por José Braga da redação do UàE – 12 de junho de 2017

A rebeldia explode agora em Córdoba e é violenta, porque aqui os tiranos se haviam tornado soberbos e porque era necessário apagar para sempre a recordação dos contrarrevolucionários de Maio. As universidades foram até aqui o refúgio secular dos medíocres, a renda dos ignorantes, a hospitalidade segura dos inválidos e – o que é pior ainda – o lugar em que todas as formas de tiranizar e insensibilizar encontraram a cátedra que as ditasse. As universidades chegaram a ser assim o reflexo decadente fiel destas sociedades decadentes que se empenham em oferecer o triste espetáculo de uma imobilidade senil. É por isso que a Ciência, frente a estas casas mudas e fechadas, passa silenciosa ou entra mutilada e grotesca ao serviço burocrático. Quando em um arroubo fugaz abre suas portas aos altos espíritos é para em seguida arrepender-se e tornar impossível à vida em seu recinto. É por isso que, dentro desse tipo de regime, as forças naturais levam a mediocrizar o ensino e a ampliação vital dos organismos universitários não é fruto do de desenvolvimento orgânico, mas o alento à periodicidade revolucionária.   

Manifesto Liminar – Córdoba 1918.

Há 99 anos a juventude de Córdoba trilhava uma dura luta em nome da liberdade. Inspirados na onda de esperança que em 1917 tomou o mundo com a revolução russa, de braços dados à classe trabalhadora e suas organizações revolucionárias, ousou tomar o futuro da universidade em suas mãos e reivindicar a autonomia universitária plena, a liberdade de cátedra, co-governo universitário entre estudantes e trabalhadores, assistência estudantil.

Da greve estudantil dos cursos engenharia, medicina e direito de março, à greve geral universitária de junho, os estudantes argentinos decidiram pela coragem, pela imaginação política e por enlaçar-se profundamente com os trabalhadores. No dia 21 de junho a Federação Universitária Argentina, fundada no calor das lutas de 1918, publica o Manifesto Liminar – texto que inspiraria as lutas da juventude latino-americana por gerações.

 

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Hoje, 99 anos depois, mais do que apenas marcar o dia tirando as poeiras e as traças de um velho texto, lembrar a juventude de cordobenha e seu manifesto tem o sentido de inspirar novamente a juventude brasileira na experiência histórica de nossa classe. Lembrar Córdoba significa desejar que nossa juventude possa se apropriar dessa memória para encarar seus dilemas – a luta dos trabalhadores, a luta pela universidade pública.

Num momento em que a classe é duramente atacada e luta contra a degradação ainda maior de suas condições de vida, com as reformas trabalhistas e da previdência em nome de manter os lucros dos empresários. Num momento em que os interesses privados dessa mesma burguesia têm caminho livre na Universidade e adentra por diferentes vias; nas parcerias público-privadas, com a ideologia do empreendedorismo, com as avaliações de larga escala com as políticas de apropriação privada da produção de conhecimento.  Nesse momento a juventude é instada a se posicionar.

E há uma escolha a ser feita: despender o conjunto das energias para manter a vida social como ela é, seja pela via reacionária ou dos reformistas (por mais vermelhos que se apresentem) e suas alianças com o Capital, apostando naqueles que escamoteiam sob o nome de uma “liberdade” a necessidade de subsistir pela venda da força de trabalho. Ou conectar-se com a experiência histórica das lutas revolucionárias de nossa classe e sonhar com um caminho novo, com uma universidade livre dos desígnios da acumulação burguesa, com uma sociedade livre do império do Capital e sua política de miséria.

Estas escolhas estão sempre colocadas, e a juventude se depara com ela a cada uma de suas lutas. Fazer jus à memória dos estudantes de Córdoba é mantê-los vivos em nossos peitos, para que a cada momento decisivo como esse, sua experiência possa nos inspirar a sonhar novamente.

Viva a juventude revolucionária de Córdoba!

Viva a juventude brasileira!

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