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[Opinião] A Luta pelo Restaurante Universitário

[Opinião] A Luta pelo Restaurante Universitário

Por Maria Alice de Carvalho da redação do UàE – 30/11/2017

Após notícia de que o Restaurante Universitário do Campus Trindade fecharia durante as férias de verão, os estudantes da UFSC se encontraram na necessidade de sair do imobilismo e de lutar para garantir sua alimentação mesmo no período sem aulas.

Quando informado pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) de que o Restaurante Universitário (RU) fecharia por pelo menos dois meses para reformas na cozinha, o Diretório Central dos Estudantes – Luís Travassos, interrompeu algumas de suas atividades para voltar ao máximo suas energias a essa pauta tão importante que toca a permanência de todos os estudantes da UFSC.

De 20 a 24 de novembro, os estudantes encontraram os membros do DCE em volta do RU com panfletos e um abaixo-assinado contra o fechamento do RU nas férias. A semana de Mobilização organizada pelo DCE se finalizaria com uma Audiência Pública com a reitoria para levar a demanda de alimentação dos estudantes ao Reitor Pró-Tempore Ubaldo Baltazar.

Mesmo que fosse necessário fechar as portas do RU para reformas, os estudantes pontuaram que a reitoria deveria garantir sua alimentação durante esse período, até mesmo porque, como se encontrava escrito em um dos cartazes produzidos pelos estudantes durante a mobilização, os estudantes não são estudantes apenas durante o período letivo, mas continuam existindo em sua condição de estudantes e dependentes das políticas de permanência para se manter na Universidade.

Quando foi anunciado que o RU fecharia, a Direção do RU afirmou que nesse período a garantia que poderia ser dada era a de que o RU do Centro de Ciências Agrárias (CCA) recebesse os estudantes com cadastro socioeconômico aprovado pela PRAE[1]. No entanto, enxergando o Restaurante como um direito estudantil que deve ser garantido a todos os estudantes, não apenas aos cadastrados socioeconomicamente, o Movimento Estudantil da UFSC se debruçou em garantir que todos tivessem a alimentação garantida no período de férias.

A Audiência Pública do dia 24 de novembro iniciou com uma recepção ao Reitor Pró-Tempore com um corredor de bandejas e de estudantes gritando por sua garantia de alimentação. Já no início da reunião, o Reitor Pró-Tempore anunciou que seria garantido para todos os estudantes apenas almoço no RU do CCA, com transporte, de segunda à sexta-feira. Quando os estudantes se declararam insatisfeitos com a proposta por enxergá-la como insuficiente, o Reitor Pró-Tempore sem repostas marcou uma nova Audiência para a quarta-feira da semana seguinte (29 de novembro), na qual foi conquistado que durante as férias todos os estudantes terão acesso ao RU do CCA, com transporte, para almoço e janta durante todos os dias da semana. Uma vitória da mobilização do Movimento Estudantil.

Para além da conquista do RU durante as férias, essa mobilização que durou pouco mais de uma semana expressou ainda outras questões importantes, sendo a principal delas a importância do contato com a base dos estudantes para construir lutas e inclusive vencê-las.

Apesar de ter iniciado na semana de mobilização sozinho, o DCE foi agregado em suas ações durante a semana de luta pelo RU pelos Centros Acadêmicos da UFSC. Em uma reunião realizada no dia 22 de novembro, treze Centros Acadêmicos e o DCE se encontraram após um chamado realizado pelo Centro Acadêmico Livre de Psicologia (CALPsi) para encontrar formas de como os CAs poderiam se juntar efetivamente a essa luta e aumentar ainda mais o contato com os estudantes da Universidade para construí-la. Nessa reunião foram tiradas passagens em sala e um ato simbólico que sairia do RU até a Reitoria anteriormente à Audiência Pública na Sala dos Conselhos. Conjuntamente, a partir desse dia, CAs e DCE uniram forças e atuaram juntos para que isso se concretizasse.

Foram realizadas passagens em sala, produção de materiais retomando a história do RU e parceria entre as diferentes entidades para conseguir alcançar a base de seus cursos. Uma amostra de como deve ser a organização do Movimento Estudantil na Universidade: sem centralização em apenas uma entidade para dar conta da luta dos estudantes e com trabalho de base.

O ato dentro do RU no dia 24 de novembro foi composto por estudantes com cartazes, gritos de ordem e músicas pedindo à reitoria pela garantia de sua alimentação. Os estudantes que estavam almoçando em suas mesas preocupados com o fim do semestre começaram a conversar entre si perguntando um ao outro “E aí, o que que cê pensa sobre o fechamento do RU?”. Apesar do incômodo  de alguns com o barulho dos tambores, o incômodo com a incerteza acerca da garantida da alimentação durante o período de férias começou a se expressar naquele espaço, e a informação pôde chegar aos ouvidos de estudantes que nem se quer sabiam do ação da Reitoria em fechar o Restaurante.

Quando os estudantes foram convidados a se retirarem com as bandejas para levar até a reitoria, os estudantes que entraram no Restaurante para iniciar aquele ato não saíram sozinhos. Apesar de nem todos os estudantes terem saído com suas bandejas, grande parte deles  saiu daquele ambiente carregando algo que não carregavam junto de si quando entraram.

Na quarta-feira (29 de novembro), para realização da segunda Audiência Pública onde o Reitor Pró-Tempore traria novas propostas para atender aos estudantes, o Movimento Estudantil que construiu o ato no RU se manteve unido para realização de um Café da Manhã na reitoria antes da Audiência. Uma grande mesa com alimentos foi colocada em frente à reitoria para receber estudantes, técnicos e professores. Enquanto o café foi servido, um diálogo com quem passava por ali pôde ser construído e a pauta do RU se estendeu ainda mais ao conjunto da comunidade universitária. Inclusive, novos rostos já puderam ser vistos construindo o Movimento Estudantil.

Para além da conquista de alimentação dos estudantes durante as férias, a Mobilização pelo RU conquistou uma amostra de como pode ser retomada a real construção do Movimento Estudantil. Um movimento que une DCE e Centros Acadêmicos para estabelecer contato com os estudantes; que faz passagens em sala e que realiza atos simbólicos com capacidade de alcançar a gama dos estudantes.

O que fica desse período de mobilização é a necessidade de  esse grupo de estudantes que se encontrou e uniu forças para construir uma luta dentro da Universidade se manter, ampliar suas pautas e agregar ainda mais estudantes através da comunicação direta com esses. Só assim o Movimento Estudantil pode se construir fugindo do simples imediatismo e do imobilismo que assombra a Universidade há tanto tempo.

[1]http://ufscaesquerda.com.br/noticia-restaurante-universitario-fechara-as-portas-durante-as-ferias-estudantis/

2 comentários

  1. Gabriel Galdino

    Muito boa cobertura da matéria, muito informativa, parabéns!
    Gostaria de fazer uma observação quanto as datas, ditas como 24 e 29 de dezembro, mas parece que deveria ser 24 e 29 de novembro.

    Obrigado pelo texto, e pela atenção.

  2. Só uma correção. Todas as vezes que colocaram dezembro, vocês se referiram a novembro no texto. Ótima iniciativa do DCE.

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