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Série: Os restos do Roselanismo. Os significados da ocupação/desocupação da reitoria.

Série: Os restos do Roselanismo. Os significados da ocupação/desocupação da reitoria.

Arte da página: https://www.facebook.com/ocuparparapermanecer?fref=ts

No dia 30 de junho, depois de uma longa e inócua negociação com a reitoria, os estudantes pretos e pobres em luta pela permanência ocuparam a reitoria. Esse momento da luta pela permanência na UFSC evidenciou a forma truculenta que têm sido operada pelo roselanismo[1] para impedir o avanço e o acirramento das lutas na UFSC.

Em primeiro lugar é preciso explicitar que os acontecimentos daquele dia só se desenrolaram pela combatividade demonstrada desde o início pela militância independente. Foram os estudantes do Grupo Negro 4P que puxaram o chamado para cobrar da reitoria o atraso no auxílio-alimentação na sessão do CUn daquele dia. Foi a coragem dos estudantes pretos e pobres, que estão sendo expulsos da Universidade pela ausência de uma efetiva política de permanência, que manteve a postura séria e intransigente durante todos os acontecimentos, recusando veementemente as propostas esdrúxulas da reitoria para os estudantes.

Durante as negociações ocorridas na sala de reuniões do gabinete da reitora foi que a Reitoria demonstrou sua face mais truculenta. Das propostas absurdas para demanda imediata (oferecimento de cestas básicas, lanches no bar do Volantes), à tentativa de jogar os estudantes contra os TAEs, às incoerências do discurso do chefe de gabinete. Todas essas tentativas de dissuadir e calar o movimento foram duramente negadas pelos estudantes. Quando perceberam que sua política de cooptação não funcionaria desta vez, o núcleo diretor da reitoria deixou o edifício, destes Roselane e Lucia mais uma vez pela porta dos fundos nem ao menos se dignando a olhar para os estudantes que lá estavam. Depois de evacuado o prédio, aparece o aparelho repressor: os estudantes que chegavam para participar da reunião foram impedidos de entrar no prédio, viaturas da DESEG foram enviadas para intimidar os estudantes. E as propostas, mesmo as mais toscas e desrespeitosas foram retiradas da mesa em tom de revanche – já que não tinham aceitado as propostas, nem proposta mais haveria.

Foi desse clima de tensão, do desrespeito da reitoria, da postura séria e firme dos estudantes que surgiu a ocupação. E não de quaisquer estudantes, mas daqueles que ao longo de anos, e muito intensamente neste semestre, vêm lutando verdadeiramente por políticas de permanência que de fato permitam alguma democratização da universidade, garantindo que a classe trabalhadora possa vivê-la em sua plenitude. Naquele momento, algumas das organizações políticas que atuam no movimento estudantil (Juventude Comunista Avançando – JCA/PCLCP, Brigadas Populares e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU) foram empurradas pela combatividade destes estudantes.

Já com a reitoria ocupada, com o movimento se ampliando na elaboração das pautas de reivindicação de uma política de permanência real, o papel dessas organizações no Roselanismo também expressou sua forma mais truculenta: procurando descontruir o movimento e obstruir sua ampliação. Apesar das distintas formas e meios, e das diferentes análises e justificativas que possam ter (como a ridícula desculpa da “difícil conjuntura de fim do semestre”) o principal efeito da política desses sujeitos para o movimento foi, no entanto, o mesmo: assegurar que o movimento estudantil não ofereça risco e instabilize a política da reitoria. Evitando a luta ampla e organizada dos estudantes pelo sentido público da Universidade.

Por último, a intensidade que a reitoria e que estes setores do movimento estudantil trabalharam para a desocupação operou para que o conjunto de lutas não tomasse corpo na Universidade. Foi assim que a reitoria agiu também com a greve dos estudantes do Colégio de Aplicação. Tentando evitar que de fato o movimento se massificasse e se unificasse, entre os estudantes e entre os estudantes e as greves dos docentes e técnicos-administrativos. Não à toa que aparecesse toda essa truculência, não à toa que reitoria dispôs do trabalho de seu núcleo dirigente com tamanha intensidade para garantir a desocupação.

Vale salientar que a postura da direção do Diretório Central dos Estudantes não foi outra além da esperada – vindo de uma gestão dirigida pelos setores mais retrógrados dentre os estudantes (ligados a União da Juventude Socialista/PCdoB, aos empresários júniores e as atléticas). Retirando-se da ocupação e tratando de passar a tarde inteira de sexta, 03/07, sentados no gabinete com Roselane Neckel. E tratando de retomar o discurso que joga os estudantes contra a greve dos TAEs.

No entanto, a despeito da truculência do Roselanismo (tanto por parte da reitoria, quanto dos setores do próprio movimento estudantil) os estudantes que ousaram construir efetivamente aquele momento deram uma lição ao conjunto do movimento estudantil. Ainda que de forma muito espontânea, e com todas as dificuldades político-organizativas colocadas, o ato de ocupar a reitoria, a indignação com a desocupação, a recente carta do Grupo Negro 4P[2], enfim a combatividade dos estudantes nos indicam que pouco resta ao roselanismo. E apontam para um cenário de intensificação das lutas de esquerda pela Universidade Pública.

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[1] Sobre o Roselanismo ver: http://ufscaesquerda.com.br/a-ufsc-continua-cercada-pelo-imobilismo-parte-ii-aquela-em-que-damos-as-coisas-o-nome-que-elas-tem/ e textos seguintes.

[2] https://www.facebook.com/gruponegro4p/posts/1671294276437744

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