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Série: Os restos do Roselanismo. Quem produzia o imobilismo?

Série: Os restos do Roselanismo. Quem produzia o imobilismo?

Série: Os restos do Roselanismo

Quem produzia o imobilismo?

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Foto recebida por um(a) estudante que não quis se identificar.

Segunda-feira, 6 de julho, começam a chegar várias pessoas da atual administração central da UFSC no CFH, entre elas a reitora e a vice-reitora – Roselane Neckel e Lúcia Pacheco, respectivamente. Começam a chegar mensagens de vários leitores perguntando se estávamos acompanhando a movimentação, após uma rápida apuração percebemos que estavam reunidos no auditório o núcleo de apoio da atual gestão para pensar sua possível candidatura. Através das fotos e vídeos que recebemos foi possível perceber de que se tratava.

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Foto recebida de um(a) estudante que não quis se identificar.

Estavam presentes: Roselane Neckel (Reitora), Lúcia Pacheco (Vice-reitora), Carlos Vieira (Chefe do Gabinete), Sônia Maluf (Vice-diretora do CFH), Paulo Pinheiro (Diretor do CFH), Denise Cord (Pró-reitora de Assuntos Estudantis), Sergio Luis Schlatter Junior (PRAE), Pinheirinho (Sinter/PCLCP), Kátia Maheirie (Professora – Psicologia), Américo Ishida (Professor – Arquitetura), Davi Peres (Professor – Serviço Social/PCLCP), Henrique Martins (Estudante – Matemática/ PCLCP -JCA), Giovani Simon (Estudante – PGSSO/ PCLCP-JCA), Marcos Montezuma (Professor – História), entre outros.

A reunião, que não era pública, foi chamara para discutir com o grupo de apoio da gestão para pensar a conjuntura atual na universidade e se deveriam fazer o lançamento de uma candidatura vinda desse grupo político. Enquanto que nenhum estudante ou professor de esquerda jamais encontrou pessoalmente a reitora, seja em greve – como na pedagogia ou durante as duas ocupações da reitoria, parece que alguns outros tem esse estranho privilégio privado.

Consideramos fundamental destacar é que além das figuras já conhecidas no apoio a atual gestão – como muitas das direções de centros que foram eleitas pelo Roselanismo – é a presença em peso do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes (PCLCP), que também possui um braço na juventude, que chama de Juventude Comunista Avançando (JCA). Essa mesma juventude que, por sua vez, utiliza o espaço do Movimento por uma Universidade Popular (MUP), para atuar quando se prepara para lançar chapa sem unidade com outras forças do movimento estudantil.

Isso demonstra, de uma vez por todas, por quais razões organizações como o PCLCP/JCA sistematicamente impedem, coíbem e coagem movimentos que potencialmente denunciam os desmandos da atual gestão, ou até mesmo, a força como a reitoria não só aceitou passivamente como vem aplicando coma finco os cortes de verbas na UFSC. Por isso, os estudantes pretos, pobres, mulheres, homossexuais são sempre para essa organização uma ameaça, pois eles não se curvam a política de apassivamento que tem muitos paralelos com a política de incorporação ativa da aristocracia operária realizada em torno do PT pela CUT, CTB e Força Sindical.

É fundamental destacar, no entanto, que a ausência de outras organizações políticas como as Brigadas Populares (BPs) ou PSTU nessa reunião não é o critério de exclusão delas do núcleo de sustentação do Roselanismo. É por isso que vimos insistindo que o Roselanismo, enquanto fenômeno político cuja maior expressão era o imobilismo dos sujeitos da esquerda na UFSC, combina diferentes sujeitos, com diferentes modos de atuação e níveis de inserção no núcleo duro da gestão. Um sujeito coletivo pode não estar ativamente no bloco de poder e, no entanto, ser funcional para ele. Portanto, só a prática política real pode ser critério para distinguir o joio do trigo.

Esse é o enorme dilema que a tentativa fictícia de unidade da esquerda está demonstrando. Enquanto a unidade das lutas ainda for sinônimo de curral para organizações políticas e partidos dessa natureza, nada de novo vai surgir. É preciso fazer da denúncia dos corruptos uma prática política cotidiana para que possamos construir um movimento de lutas assentado sobre uma nova ética política. Assim, será possível construir uma verdadeira unidade para as lutas de esquerda na universidade, conduzida por quem realmente luta em favor do movimento e não do imobilismo.

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